Se não é fácil ser líder de torcida nos grandes estádios americanos ou mesmo no Mineirão, imagine nos campos de várzea de Belo Horizonte? Driblando as dificuldades logísticas e extracampo, garotas do programa Sonhos da Vila, na faixa dos 12 anos, se caracterizam para apoiar o Adim, time que faz parte Projeto Voe de Inclusão Social, assim como elas.
A estréia foi sob um sol escaldante, em um campo sem vestiários, água ou banheiro. A primeira dificuldade, trocar a roupa, foi deixada para trás com um jeitinho: se esconder num cantinho ermo e fazer tudo rápido; para a água, o jeito foi pedir a ajuda de moradores próximo para encher uma garrafa pet, que logo se esvaziou; já a vontade de ir ao banheiro teve que ficar para depois da partida.
Vencidos os primeiros adversários, eis que surgem mais obstáculos. Além do sol escaldante, o campo não possui um tufo de grama e a poeira voa alto quando os jogadores passam; há também os meninos, que independentemente da idade, sempre são garotos. Para atrair a atenção das meninas, ao invés de flores, doces ou galanteios, objetos atirados na direção delas. Nada que as machuque, mas que maltrata a boa educação.
Durante a partida vibram, cantam e até xingam, na expectativa de que o apoio resulte em alguma boa ação do time. Fim do jogo! Porém, para elas o placar é o que menos importa. Depois de passar por tantos desafios, venceram de goleada na estréia.





Jogo realizado no dia 13 de setembro, no Centro Social do bairro Minaslândia.
(fotos: Nelson Nunes)